Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Datafolha aponta que a maior parte presenciou assédios e abordagens desrespeitosas na rua.

Pesquisa do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública) e do Instituto Datafolhaaponta que, no ano passado, 59,1% das pessoas presenciaram algum tipo de violência sofrido por mulheres. A maior parte (42,6%) foram assédios, cantadas ou outros tipos de abordagens desrespeitosas na rua, feitas por desconhecidos

De acordo com o fórum a segunda edição da pesquisa “Visível e Invisível: a vitimização de mulheres no Brasil” indica uma diminuição no número de brasileiros que afirmam que viram abordagem violenta contra as mulheres: a edição anterior, de fevereiro de 2017, 66% dos entrevistados disseram ter presenciado.

A pesquisa sobre o ano passado também aponta que 36,5% das pessoas viram homens xingando, humilhando ou ameaçando mulheres com quem se relacionaram amorosamente. O levantamento ainda mostra que 28,7% das pessoas viram vizinhas sendo ameaçadas por namorado, ex-namorado, marido, ex-marido, companheiro ou ex-companheiro, e 27,7% viram sendo agredidas.

A pedagoga Karina Rufina, 23 anos, afirma que já presenciou diversas situações de violências sofridas por mulheres, sobretudo em sua vizinhança, na região de Osasco (Grande São Paulo). Segundo ela, a sensação é de “total impotência e dor, porque eu não faço ideia do que posso fazer”.

Segundo Karina, um dos casos mais marcantes que presenciou foi a agressão de um rapaz dependente químico contra sua companheira, uma adolescente que está grávida. “Eles brigam praticamente todo final de semana com muita violência verbal”, diz a pedagoga.

Karina diz que, apesar das violências que sofre, a adolescente acaba sempre pedindo para voltar com o rapaz. Por isso, a pedagoga afirma que “todos julgam como se ela estivesse nessa posição porque quer, mas acredito que ninguém chega a esse ponto por escolha”.

Outra situação que a Karina diz que presenciou a adolescente passando foi violência por parte de familiar. “Os homens da família dela vão buscá-la à força e com violência também, porque o tio segura os braços e os irmãos as pernas e para levar embora”.

O levantamento mostra que 20,3% dos entrevistados dizem que já viram meninas, moças ou mulheres que residem na vizinhança sendo agredidas por parentes como pai, irmão, tio, cunhado, padrasto, entre outros.

O FBSP perguntou ainda se as pessoas viram, no ano passado, homens brigando, ameaçando, discutindo, ou se agredindo por causa de ciúmes de uma namorada, mulher, companheira ou ex: 37% responderam que viram.

A pesquisa foi realizada nos dias 4 e 5 de fevereiro, em 130 municípios de pequeno, grande e médio porte de todas regiões do Brasil. No total, 2.084 pessoas foram entrevistadas.

 

Por/ Kaique Dalapola,

 

28/02/2019