Cerimônia foi aberta ao público às 10h e acontece até as 15h. Corpo da estrela deve ser cremado. Filha, uma neta e um bisneto da atriz foram os primeiros a chegar na cerimônia.

O corpo da atriz e cantora Bibi Ferreira, diva dos musicais brasileiros, é velado na manhã desta quinta-feira (14), no Theatro Municipal do Rio, no Centro do Rio. A cerimônia foi aberta ao público 10h e acontece até as 15h. A filha, uma neta e um bisneto de Bibi chegaram cedo ao velório. Após a cerimônia, o corpo de Bibi deve ser cremado.

Bibi morreu nesta quarta-feira (13), aos 96 anos. Também apresentadora, diretora e compositora, ela foi um dos maiores fenômenos artísticos do país. Segundo Tina Ferreira, filha única de Bibi, a artista morreu no início da tarde em seu apartamento no Flamengo, Zona Sul do Rio.

“Minha mãe faz parte de um legado muito rico do teatro brasileiro. Espero que tudo o que ela fez sirva de inspiração para as gerações de artistas que ainda virão. É bonito ver o público, pessoas que eu nunca conheci, se aproximarem para me cumprimentar e me contar histórias da minha mãe. E é ainda mais bonito que esse momento aconteça aqui, no Municipal, em cujo palco ela pisou tantas vezes” – Tina Ferreira, filha.

A atriz acordou e a enfermeira que a acompanhava percebeu que o batimento cardíaco estava baixo e, por isso, chamou um médico. Tina acredita que a mãe morreu dormindo.

“Ela amanheceu normal, acordou tomou seu café da manhã e tudo. Depois, ela só se queixou que estava se sentindo um pouco com falta de ar. Então como tem enfermeira, tem tudo, tiramos a pressão, o pulso estava fraco. Imediatamente chamamos o Pró-Cardíaco. Eles vieram muito rápido, muito rápido mesmo, ambulância, médico, tudo, mas quando chegaram ela já tinha partido. Ela morreu dormindo, tranquila”, explicou a filha.

“Para a arte brasileira, este é o gran finale de uma grande estrela, de uma diva. Bibi deixa um legado na história do teatro e da música deste país. Ela tem uma ligação muito antiga com esta casa. Aprendeu balé aqui e também foi diretora de dramaturgia do Theatro Municipal. Nós nos despedimos com toda a honra que ela merece” – Aldo Mussi, diretor do Theatro Municipal.

Berço artístico

Abigail Izquierdo Ferreira nasceu em 1º de julho de 1922. Filha de um dos maiores nomes das artes cênicas do Brasil, o ator Procópio Ferreira (1889-1979), e da bailarina espanhola Aída Izquierdo, Bibi – apelido que ganhou ainda na infância – estreou nos palcos com pouco mais de 20 dias de vida.

Sonia Braga e Bibi Ferreira em Brasil 79, de 1979 — Foto: Acervo TV Globo

Em cena, ela apareceu no colo da madrinha, Abigail Maia, em encenação de “Manhãs de sol”, de Oduvaldo Vianna (1892-1972).

Artista multimídia, Bibi ao longo da carreira fez filmes, apresentou programas de TV, gravou discos e dirigiu shows. Tudo sem nunca abandonar o teatro, uma grande paixão.

Também foi enredo da Viradouro no Carnaval do Rio em 2003. Recentemente, teve a vida e obra contadas no espetáculo “Bibi, uma vida em musical”, escrito por Artur Xexéo e Luanna Guimarães, com direção de Tadeu Aguiar. Na montagem, a protagonista foi interpretada por Amanda Costa.

Em março de 2018, já aos 95 anos, Bibi foi assistir a uma apresentação do musical, então em cartaz em um teatro no Rio e fez o público se emocionar ao chorar cantando, da plateia e sem microfone, uma música de Edith Piaf (1915-1963).

Por Carlos Brito, G1

14/02/2019