Diante dos gastos cada vez maiores com planos de saúde de seus funcionários, o Banco do Brasil está negociando com o Sindicato dos Bancários um acordo para não pagar os convênios de futuros empregados da instituição quando eles se aposentarem.

Segundo informou o BB ao Blog, as negociações já vêm se estendendo por um bom período e fazem parte de uma Resolução baixada pelo antigo Ministério do Planejamento, em janeiro de 2018. Por meio desse documento, nenhuma estatal poderá honrar planos de saúde de novos funcionários após a aposentadoria. Hoje, o banco arca com mais da metade do valor dos planos de saúde de funcionários e de dependentes mesmo depois da aposentadoria.

 

O BB ressalta que o que está sendo proposto só valerá para os futuros funcionários. Para quem já está no banco, nada mudará. Pelo menos por enquanto. O BB diz que o convênio médico é um atrativo importante para quem faz concurso para a instituição.

 

Cassi

O funcionários do Banco do Brasil são atendidos pela Caixa de Assistência, a Cassi. A operadora, no entanto, enfrenta sérias dificuldades financeiras. Em 2018, registrou prejuízos de R$ 377,7 milhões, rombo 83% maior do que o do ano anterior.

 

O buraco no caixa só não foi maior graças aos R$ 226 milhões que os funcionários pagaram a mais por meio de uma contribuição extra, instituída desde o fim de 206, que vigorará até dezembro de 2019, e pela antecipação de receitas futuras referentes a 13º salário feitas pelo BB, de R$ 310 milhões. Essas receitas seriam recolhidas à Cassi até 2021.

 

A grande pergunta que se faz dentro do banco é até quando a Cassi continuará operando no vermelho. Mais: até que ponto o BB está disposto a ficar antecipando receitas para cobrir os constantes prejuízos.

 

Bradesco

 

Há que diga, dentro do BB, que, mantidos esses resultados ruins, a Cassi poderia ser incorporada por outra operadora de planos de saúde, mais precisamente pela Bradesco Seguros. O Banco do Brasil assegura que não existe tal possibilidade.

 

De qualquer forma, será preciso pôr em prática um grande programa de recuperação da Caixa de Assistência dos Empregados do Banco do Brasil.

 

A contribuição dos funcionários para o plano de saúde passou de 3% para 4% dos salários (o percentual extra cairá a partir de 2020). E todos estão tendo que bancar, desde janeiro deste ano, 40% de toda as consultas e 20% dos exames. Até o ano passado, essas contribuições eram de 30% e 10%, respectivamente.

 

Por/Vicente Nunes

08/04/2019