O presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, anunciou hoje que confrontos com forças de segurança do ditador Nicolás Maduro deixaram uma pessoa morta e outras 12 feridas na fronteira entre Brasil e Venezuela, fechada desde a noite de ontem por ordem de Maduro.

A região de Santa Elena do Uairén, do lado venezuelano, teve o efetivo militar reforçado.

A morte de uma mulher foi confirmada também pelo prefeito de Gran Sabana, Emilio Gonzáles, e pelo deputado Angel Medina, que fazem oposição ao governo de Maduro.

A vítima é Zoraida Rodriguez, da comunidade indígena Kumaracapay.

Segundo Guaidó, dois soldados dispararam contra indígenas que protestavam em um posto de controle em apoio à entrada da ajuda humanitária.Em declarações para a agência de notícias Associated Press, o prefeito afirmou que os soldados dispararam balas de borracha e gás lacrimogêneo.

Os 12 feridos foram levados para atendimento médico em Santa Elena do Uaién.

A Secretaria de Saúde de Roraima confirmou ao UOL que os feridos foram levados para atendimento em Boa Vista, que fica a cerca de 200 quilômetros de Pacaraima –a fronteira foi aberta para que ambulâncias transportassem as vítimas.

Desde que o Brasil começou, há poucos dias, a organizar o envio de ajuda humanitária na cidade de Pacaraima, em Roraima, soldados e tanques veneuzelanos foram enviados para a região de fronteira.

Autoridades brasileiras afirmaram ontem que a entrega de alimentos e medicamentos, solicitados pelo presidente interino Juan Guaidó, está mantida apesar do fechamento da fronteira.

A operação deve ser realizada amanhã, com a coordenação do governo dos Estados Unidos –o plano prevê que caminhões e motoristas venezuelanos venham até o lado brasileiro para buscar as doações, e nenhum brasileiro integrante da missão entrará em território venezuelano.

Segundo o governo brasileiro, um avião da Força Aérea foi para Boa Vista com quase 23 toneladas de leite em pó e 500 kits de primeiros socorros e medicamentos

Guaidó pediu que os militares “definam como querem ser lembrados”. “Já sabemos que vocês estão com o povo, vocês nos deixaram isso bem claro. Amanhã poderão demonstrar isso”, diz o presidente interino, referindo-se ao fechamento das fronteiras ordenado por Maduro.

O porta-voz da Presidência da República, general Otávio Santana do Rêgo Barros, afirmou ontem à noite que, no momento, não há possibilidade de conflito na fronteira do Brasil com a Venezuela e que o envio da ajuda humanitária está mantido.

 

Por/Talita Marchao

 

22/02/2019