ONU estima que serão necessários 300 anos para o mundo atingir a igualdade de gênero

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Defensoras dos direitos das mulheres afegãs e ativistas protestam para pedir ao Taliban a preservação de suas conquistas e educação, em frente ao palácio presidencial em Cabul 03/09/2021REUTERS/Stringer

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, disse à Comissão sobre o Status da Mulher, na segunda-feira (6), que a igualdade de gênero está “a 300 anos de distância”, de acordo com as últimas estimativas da ONU Mulheres.

O progresso em direção à igualdade de gênero “está desaparecendo diante de nossos olhos”, afirmou.

Guterres citou as altas taxas de mortalidade materna, as meninas forçadas ao casamento precoce e as sequestradas e agredidas por frequentar a escola como prova de que a esperança de alcançar a igualdade de gênero “está cada vez mais distante”.

Em seu discurso, Guterres não mencionou o Irã, expulso da comissão de 45 membros em dezembro devido aos protestos após a morte de Mahsa Amini sob custódia da chamada “polícia moral” do país.

“Os direitos das mulheres estão sendo pisoteados, ameaçados e violados em todo o mundo”, disse Guterres, citando alguns países em particular, incluindo o Afeganistão, onde ela disse que “mulheres e meninas foram apagadas da vida pública”.

Na segunda-feira, jovens afegãs se reuniram do lado de fora da Universidade de Cabul para protestar contra a proibição do Talibã à educação feminina, uma restrição que um novo relatório da ONU diz que pode representar “um crime contra a humanidade”.

O relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos em Genebra na segunda-feira também apontou para o aumento de casamentos forçados e infantis, a proibição que excluiu as mulheres de espaços públicos como parques e academias e outras restrições que limitam a capacidade das mulheres de trabalhar e viajar de forma independente no Afeganistão.

Guterres disse que a subsecretária-geral e diretora-executiva da ONU Mulheres visitou recentemente o Afeganistão e disse às autoridades do Talibã que “nunca pararemos de lutar por mulheres e meninas”.

“Crises e conflitos atingem mulheres e meninas primeiro e pior”, disse Guterres, incluindo a guerra na Ucrânia como exemplo. No ano passado, a ONU pediu uma investigação sobre relatos de estupro e violência sexual contra mulheres e meninas ucranianas após a invasão da Rússia.

Guterres também disse que “em muitos lugares os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres estão sendo revertidos”, embora não tenha especificado onde.

Em junho passado, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a decisão “Roe vs. Wade”, deixando o direito ao aborto para cada estado. No ano anterior, a proibição de abortos devido a defeitos fetais entrou em vigor na Polônia, essencialmente encerrando quase todos os abortos no país.

Para alcançar a igualdade de gênero, Guterres pediu ações “coletivas” e “urgentes”, desde o aumento da educação, renda e emprego para mulheres e meninas, especialmente nos países em desenvolvimento do Sul Global, até a promoção da participação na ciência e tecnologia

“Séculos de patriarcado, discriminação e estereótipos nocivos criaram uma enorme lacuna de gênero na ciência e na tecnologia”, disse Guterres. “Sejamos claros: as estruturas globais não estão funcionando para as mulheres e meninas do mundo. Eles precisam mudar”.

Tara Subramaniam

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